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MANIFESTO

Encontro Nacional de Mulheres Negras Cristãs: Resistências, espiritualidade e incidência pública

Nós, mulheres negras cristãs, jovens e adultas oriundas de distintas tradições do protestantismo brasileiro (metodistas, assembleianas, batistas, anglicanas, pentecostais) de diferentes regiões brasileiras, reunidas de 10 a 12 de agosto de 2018 no Encontro de Mulheres Negras Cristãs na cidade do Recife – PE levantamos nossas vozes em favor da vida de todas as mulheres negras do Brasil.

É sob o amor, a esperança e o doce sussurro de Ruah¹ que nos movemos e somos unidade neste encontro. Nestes tenebrosos tempos de retiradas de direitos e ameaça feroz a soberania popular e ao Estado Democrático de Direitos que amargamente desfrutamos na sociedade brasileira, faz-se imediato e urgente que a pluralidade e diversidade de coletivos de mulheres permaneçam resistentes e fortalecidos em coletividade.

Somos nós, mulheres negras que mais sofremos com as reverberações de uma política pública racista e misógina. Sofremos com a omissão de direitos e a violência do Estado. Sofremos com a invisibilidade e a violência simbólica nos espaços de poder das organizações religiosas. Sofremos com baixos salários e empregos desprotegidos e precarizados.

Desta maneira, nós mulheres cristãs de confissão protestante de diferentes denominações religiosas nos agregamos para unirmo-nos ao movimento de luta em prol da vida das mulheres. 

Reivindicamos:

  • Que os materiais didáticos de ensino religioso contemplem nos termos da Lei 9394/1996, reformulada por forma das Leis 10639/2003 e 11645/2008, no que diz respeito ao ensino sistemático de História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena em todas as disciplinas de todos os cursos oferecidos pelas organizações religiosas dos protestantismos: histórico, pentecostal e neopentecostal;

  • O uso da linguagem inclusiva de gênero em materiais didáticos religiosos e em cerimônias e celebrações religiosas;

  • A utilização de representação de pessoas negras na iconografia/imagens/ materiais/produtos das/nas igrejas;

  • A leitura afrocentrada da bíblia;

Posicionamo-nos em defesa da vida de todas as mulheres. Colocamo-nos a disposição das igrejas protestantes para um diálogo baseado na verdade e na reconciliação mediante a realidade do racismo estrutural que nos afeta. Reconhecemos os desafios no entorno do exercício de uma educação religiosa antirracista e antissexista, contudo, nos mantemos unidas, firmes e crentes no Evangelho de Jesus Cristo para tal superação.